Alongam-se os bons dias, boas tardes e boas noites.

Em todas as formas possíveis de serem alongados.

As casas caiadas de branco refletem expressões.

O sino toca na torre, sejam finados, seja eucaristia, sejam horas. Os sinos tocam.

A função dos jornais habita nas bocas que espreitam à janela. 

O colesterol é uma realidade quase perdoável pelo paladar mais que apurado por uma vida. 

O pantone enche os olhos de quem entende o muito por pouco.

As conversas de ocasião tornam-se quase pedagógicas. 

Avós sem uma única vacina que ficaram mais do que imunes à superficialidade.

Pais que só ganhavam sombrinhas da Regina pelo natal e ainda assim faz-lhes todo o sentido darem-nos mais que isso.

Filhos que não trabalharam no campo desde o nascer do sol, que não levaram reguadas da professora sisuda, que não sabem bordar um napron. Filhos que comeram açordas com poejo, que roubaram limões do quintal vizinho, que sujaram as mãos com terra. 

 
Todos gratos. Todos voltam.  
Todos aventados à vida. Ao vento da vida. 

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