Eu vou querer ouvir Baker, e tu, ‘quase azul’ vais ceder a esse amor. Vais teimar que lençóis de flanela são mais aconchegantes mas eu prefiro os brancos de seda, e ainda assim, vou aceitar.
Quando cozinhares vais cortar a cebola em picadinho porque sabes que o amor são pormenores. E na falta de desleixo eu reparo sempre. Vou arrancar o melhor de mim para não adormecer a ver as séries que quiseres. E tu vais simular que nunca ouviste as músicas que eu te irei mostrar. Vais saber que aquilo que mais prezo quando escrevo é o silêncio de uma chávena de chá. E que esse chá, se for de limão com mel, traz tudo o que de bom há em mim.
Vou saber que nem toda a gente fala em silêncio, e esmifrar-me para expelir sentimentos e sensações pela boca com o alvo em ti.
Vais reconhecer a minha fixação pela luz e, ao invés de me levares a jantar fora, vais levar-me ao lugar mais simples com a luz mais complexa que marca a silhueta da beleza.
Quando me disseres que o teu prato predileto é frango de caril eu vou direcionar a minha cara feia para os calabouços e sorrir. E tu vais comer papas de milho ao jantar mais vezes do que gostarias. Quando eu quiser ir ao festival mais recôndito deste país, vais sorrir, e perguntar-me porque é que não vamos mais cedo do que o previsto.
Vou aceitar as nódoas da tua personalidade e lavá-las com carinho.
Vou perguntar-te se gostas do meu sentido estético, enquanto tu combinas umas calças pied-de-poule com um cardigan às flores.
Vou compreender que o teu pequeno-almoço seja uma manga e um café. E tu vais-te assustar pelo meu ser uma taça de chocapic, um papo-seco com um fio de azeite e presunto, uma banana e ainda há espaço para um fortnums and mason. Há sempre.
Vais-te aborrecer com as minhas ametistas, e citrinos, e mandalas e shantices e por demais, mas vais-me avisar em que dia estamos do ciclo lunar.
Vais deixar que eu te besunte de protetor solar porque sabes que isso me serve enquanto incentivo uma vez que sou da cor da cale.
Vou comprar ténis de corrida para te acompanhar nessa tua rotina ainda que tal não aconteça mais do que duas vezes por ano.
Vou começar a ler clássicos em inglês porque sei que te alimentas deles e vais rejubilar quando eu souber do que falas.
Vais tentar cantar as águas de março comigo e trocar a pele, o sol e o fim do caminho por ser, lua e andar de mansinho. E por mim mudávamos a letra.

Um dia. Tu vais. E eu vou.
