Estava sempre tudo tão certo e o tempo parava sem inquietações.

As árvores davam livros sem serem mortas e os pássaros acordavam amplificados pelos acordes.  A verdade é que ali facilmente se repara na beleza da simplicidade conjugada com a subtileza daquilo que todos sabemos ser quando ligados pela música. A tranquilidade assalta-nos de revolver em punho e tudo o que seja preocupação é repelido pelo escudo de sanidade que carregamos em cima do delírio. A liberdade que se respira é aquela que transparece quando ninguém se importa com a forma como se exprime, move ou sente. Sem dedos pesados que incriminam ou opressões. Não é a essência freak, nem hipster, nem alternativa. É a essência: respeita-te a ti, aos outros e à música. 

É o vilarejo castiço, as sombras concorridas e partilhadas, um rio que congela sorrisos e ossos, e o anfiteatro natural que conservam a redoma emotivo-aitãobom que permanece até aos últimos resquícios de música no couraíso.Todo o suor de quem sobe a rampa desde o campismo ao recinto grita gratidão, e esses pulmões, ainda que em muito mau estado que estejam de tanto pó, choram porque Coura é amor. A aura de quem lá anda espirra do frio da noite, toda torta de memórias pra contar. Mas ninguém se importa. É cósmico, é triunfante, é abrasivo. É unanime ao nível cognitivo do afeto.

créditos da Threshold Magazine

E a quantidade de olhares que são poemas em silêncio.

É seguramente muito pouco lúcido de tão apaixonante.

Lá só há ir e voltar, e o olhar só resta humano.

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Olhei para o meu umbigo. E que estranho que ele é